PROPAGANDA NO MARXISMO: HEGEMONIA, INDÚSTRIA CULTURAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

  • Autor
  • Pablo Nabarrete Bastos
  • Resumo
  •  

    Os estudos sobre propaganda constituem o gérmen da Mass Communication Research, inicialmente em solo estadunidense. Na contextualização histórica proposta por Rüdiger (2015), o avanço dos media no início do século XX, com destaque para a imprensa popular, a publicidade e os serviços telegráficos, levou a um esvaziamento do debate sobre a retórica para dar lugar a um enfoque sociológico da comunicação, recaindo no debate sobre a propaganda e a manipulação da opinião pública. Na perspectiva proposta por Bolaño (2000), a massa é criada pelo capital e pelo Estado, em processo de desenvolvimento do capital com as consequentes diferenciações da estrutura social e da divisão social do trabalho, para ser objeto de comunicação, o que se realiza concretamente por meio da Indústria Cultural. A Indústria Cultural, pela especificidade do trabalho intelectual que mobiliza, possui a capacidade de construir a audiência com a qual o capital e o Estado precisam se comunicar, para realizar a publicidade e a propaganda, a acumulação do capital e a reprodução ideológica.

    Este artigo possui como objetivo expor e colocar em diálogo diferentes perspectivas de propaganda no marxismo, considerando suas especificidades epistemológicas e históricas. Os revolucionários comunistas russos foram pioneiros em formular uma teoria da propaganda moderna (Rüdiger, 2015) no início no século XX. Ainda no século XIX, o próprio Marx foi pioneiro no uso da imprensa como ferramenta de propaganda da luta comunista na formação e organização da classe trabalhadora. Em Lênin (1978) e Gramsci (1999) se configura o debate sobre o uso da agitação e propaganda na formação, organização, mobilização e engajamento da classe trabalhadora em um projeto de hegemonia popular (Bastos, 2022, 2025), com a consequente afirmação e sustentação de um novo modo de produção.  Adorno e Horkheimer (2002) postulam que a estética dos produtos da indústria cultural, nos seus mais diferentes meios e formatos, adapta-se à propaganda. Economicamente, ideologicamente e tecnicamente indústria cultural e propaganda se fundem.

    A partir da tradição brasileira da EPC, os media, sob a máscara de garantia de igualdade e liberdade, ocultam a desigualdade fundamental e estrutural do caráter de classe da informação no trabalho produtivo. A igualdade do acesso é a face aparente da desigualdade dos processos produtivos. Bolaño (2000) denomina como propaganda essa forma eminentemente ideológica da informação, que esconde o caráter de classe da informação e da comunicação no capitalismo. O autor marca uma distinção com a forma funcional publicidade, que também possui um caráter ideológico, mas com peculiaridades, pois se relaciona com o engendramento de um modo de vida que sustenta a cultura de massas sob o capitalismo. Ato contínuo, objetiva-se discutir as transformações da propaganda em contexto de imbricamento entre plataformização e Inteligência Artificial (IA) (Bastos, 2026) a partir da própria atuação dos executivos das big tech como propagandistas, o uso da IA pelo governo Trump e a batalha de propaganda resultante da aposta do governo Lula e da militância em confrontar o Congresso após a derrota sobre a proposta de aumento do IOF, no dia 17 de junho de 2025.

     

  • Palavras-chave
  • Economia Política da Comunicação (EPC), Plataformização, Propaganda, Publicidade, Engajamento
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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